Nosso Negócio

“Mas qual é mesmo o negócio de vocês?” ( pergunta de um passante em diálogo com a Carroça – Redenção, abril de 2013)

…porque existem ruas, praças, parques, calçadas onde transitam pessoas

…porque a rua é de todos, é lugar do coletivo

…porque a rua é horizontal

…porque  estar na rua é um exercício  experimental de liberdade

…porque não conhecemos nossos vizinhos

…porque ninguém tem tempo pra nada

…porque perder tempo é quase um pecado

…porque o tempo não é dinheiro, mas sim o tecido de nossa existência (como disse tão lindamente o Antônio Cândido)

…porque olhar para o outro é despir-se do que sabemos

…porque conversar com estranhos é uma experiência de beleza vital

…porque onde há carroças ambulantes, há alguém que busca e há alguém que espera

…porque entre o trânsito e a espera há um parada, uma troca, a possibilidade de um encontro

…porque desse encontro podem nascer histórias

…porque os encontros podem habitar frestas, fronteiras, borrar as bordas sem estabelecer uma margem

…porque as histórias são sempre uma potência de tudo que pode nascer entre nós

…porque tu, assim como eu, ao compartilhar algo de si, dá margens a uma nova história que é nossa

…porque eu, assim como tu, ao compartilharmos as histórias do nosso encontro abrimos espaço para que ainda mais alguém participe

….porque não sabemos o que vai acontecer depois

… porque parque é invenção

…porque parar e escutar é suspense, aventura e suspensão

…porque   rua é  espaço de vida, de circulação

…porque arte é inço

…porque a carroça é roda viva, no chão